Graves erros de arbitragem: presidente da MAG reforça indignação do Benfica Na BTV, José Pereira da Costa reagiu às incidências que lesaram o Clube no último jogo em Famalicão, da 32.ª jornada da Liga Betclic. ENTREVISTA Em entrevista à BTV, José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, comentou a arbitragem que prejudicou fortemente o Clube, com impacto direto no resultado, no jogo disputado em Famalicão no passado sábado, 2 de maio, a contar para a 32.ª jornada da Liga Betclic. Reforçando a indignação do Clube, o dirigente pronunciou-se ainda sobre a recente tomada de posição da APAF, que decidiu avançar com uma participação disciplinar contra o Benfica e o seu presidente, Rui Costa, pelas declarações proferidas à comunicação social após a partida que teve lugar no Minho. “Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se, perante aquilo que se passou no sábado [no Famalicão-Benfica], fosse punido o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, em vez de responsabilizar quem errou: o árbitro e o VAR”, disparou José Pereira da Costa, salientando que o Presidente Rui Costa “deu eco ao sentimento de todos os Benfiquistas”. Sublinhando que o futuro da arbitragem precisa de “rigor, credibilidade, fiscalização, profissionalismo e formação”, o presidente da MAG do Sport Lisboa e Benfica também apontou que a divulgação dos áudios entre árbitro e VAR do Famalicão-Benfica é “absolutamente essencial” para se perceber e analisar o que se passou no duelo da 32.ª jornada da Liga Betclic. José Pereira da Costa Começo por perguntar-lhe que reação é que tem a esta intenção da APAF de apresentar queixa. Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se, perante aquilo que se passou no sábado [no Famalicão-Benfica], fosse punido o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, em vez de se responsabilizar quem errou: o árbitro e o VAR. O que a APAF tem de responder é o que é que tem a dizer a todos aqueles que gostam de futebol – e não só a nós, milhões de Benfiquistas que sofremos as vicissitudes do jogo com um erro – sobre o que se passou no sábado. Era isso que nós esperávamos hoje [segunda-feira, 4 de maio] da APAF. Parece-lhe que o foco está mais virado para uma defesa corporativa do que para uma introspeção sobre o trabalho feito? O foco da APAF pode ser esse, mas nem sequer essa defesa é feita. Porque ao não responder à questão do que se passou no sábado, porque é que sucedeu aquele erro, tira o foco do erro, colocando-o nas palavras do Presidente [Rui Costa], que, sublinho, apenas exteriorizou o sentimento de milhões de Benfiquistas. Eu diria mais, exteriorizou o sentimento de todos aqueles que gostam de futebol. Ao tirar o foco do que se passou no campo, a APAF tira o foco do erro. E gera um novo foco, foco esse que, como eu volto a dizer, seria irónico, trágico, e seria o cúmulo da desfaçatez, se fosse concluído pelo Conselho de Disciplina com uma punição ao Presidente. Não se admite. Sublinha as críticas e o tom das mesmas feitas pelo Presidente do Sport Lisboa e Benfica no final do jogo com o Famalicão? Claramente, e faço-o enquanto Benfiquista. Todos os Benfiquistas se reveem no eco do Presidente [Rui Costa]. O que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica fez, e muitíssimo bem, foi pegar num erro de facto que todos viram e não numa questão de interpretação, e o Presidente sublinhou muito bem isso. O Presidente deu eco ao sentimento de todos os Benfiquistas – e, volto a dizer, de todos aqueles que gostam de futebol – e perguntou porque é que aquilo tinha sucedido. E disse mais. Disse que os Campeonatos são para ser decididos por quem está lá dentro do campo, pelos jogadores e pelos técnicos, e não por erros. Como aquele erro que sucedeu no sábado, ou aqueles. Mas, sobretudo, o Presidente focou a questão do erro. E eu volto a sublinhar que direi a palavra “erro” as vezes que forem necessárias, porque foi isso que se passou. José Pereira da Costa Sendo que o erro faz parte desta atividade, na parte dos atletas, dos treinadores, dirigentes, árbitros, a questão aqui é um bocadinho mais subtil. Porque este árbitro em questão [Gustavo Correia] já errou duas vezes com o Benfica nesta temporada, curiosamente nos dois únicos jogos que apitou do Benfica. E a súmula desses erros são menos quatro pontos para o Benfica… E não era uma questão de interpretação. Disse e muito bem, dois erros que nos custaram quatro pontos, com o mesmo árbitro. Daí a perplexidade e também a surpresa com que nós temos de o afirmar hoje. E pegando outra vez na sua primeira pergunta: o que a APAF tem para nos dizer é que o Presidente do Benfica deve ser punido? Em vez de dizer: vamos olhar para a consequência dos atos e tirar a responsabilidade e responsabilizar quem os toma. É a própria arbitragem que fica em causa com erros daquele tamanho. Deixe-me dizer-lhe que as palavras do Presidente foram certeiras e demonstraram aquilo que se passou no campo. Volto a dizer que os jogos, como disse o Presidente, são para ser decididos em campo por treinadores e jogadores. Não faz sentido hoje não referir uma coisa tão simples quanto esta: as imagens não têm dúvidas. Não geram nenhuma dúvida. Há um erro primário, e o VAR, que serve exatamente para corrigir esse erro primário, não o corrigiu. Onde é que estão as comunicações entre árbitro e VAR que nos permitem perceber o que se passou no sábado? É essa divulgação das comunicações que espera que seja uma das consequências deste fim de semana? O que é que espera no futuro em relação à arbitragem? Bom, nós temos ainda duas jornadas por disputar. Aliás, duas para o Sport Lisboa e Benfica e três para quem está a disputar o acesso à Liga dos Campeões connosco. O que nós defendemos, defendemos já há bastante tempo. É no âmbito da credibilização do setor. Mais uma vez, todos aqueles que gostam de futebol o que defendem também é a internacionalização do produto e não a internacionalização do erro. Nós não queremos internacionalizar o erro. Queremos impedir que essa internacionalização seja feita e, portanto, defendemos medidas muito concretas e imediatas. A publicação dos áudios é absolutamente essencial para percebermos o que se passa naquele minuto perante a análise daquele episódio em concreto. Também é evidente que percebermos quais são os critérios de avaliação, e depois a publicação das avaliações dos árbitros, através dos relatórios respetivos e da perceção de notação dos árbitros, da classificação, é absolutamente essencial. Repare, nós estamos num país e numa sociedade em que todas as nossas atividades são suscetíveis de fiscalização. De escrutínio. Não faz grande sentido que, num fenómeno como é o do futebol, esse escrutínio não seja público, não seja visível, que a fiscalização não seja percebida por todos aqueles que fazem parte do jogo, do processo, mas também por quem acompanha o fenómeno através do visionamento das imagens. Portanto, é urgente, nestas jornadas que faltam, que estes critérios sejam publicados, e publicados de imediato, com rapidez. José Pereira da Costa E parece haver, na sua opinião, abertura do setor para essa maior transparência? Eu espero que sim. Eu espero que, hoje mesmo, isso seja garantido. Seja garantido que as últimas duas jornadas são disputadas sob o signo da credibilidade. E da tranquilidade. Para que tudo se passe, como disse o nosso Presidente, dentro das quatro linhas, com técnicos e jogadores a decidirem os resultados finais. Essa exigência vai para além desta época? Ou apenas para esta circunstância das duas, três jornadas que faltam? O Benfica tem vindo a bater nesta tecla ao longo dos tempos. Já desde, pelo menos, o fim da época passada, o Benfica tem exigido e tem afirmado que a credibilização da arbitragem passa por estas medidas que exige hoje que sejam realizadas já perto do final desta época. O que quer dizer que as defendemos para o futuro, entre outras medidas. Se necessário for, através de um modelo de estrutura de arbitragem que, pelo menos para quem vê, torne as coisas mais cristalinas. Tivemos, nesta temporada, a divulgação pontual de áudios de algumas arbitragens. Isso, entretanto, caiu em desuso. Consegue perceber porquê? Não. Nem eu nem ninguém conseguimos perceber porquê. Não foi dada nenhuma explicação? Eu não conheço. Eu não conheço, mas gostava que, sobretudo nestas duas últimas jornadas, retomassem esse bom hábito e que ficasse para o futuro. Devia ser uma prática recorrente? E que fosse uma prática recorrente, que permitisse analisar em concreto – não só nas jogadas de erro, também nas jogadas de interpretação. Porque, repare, no jogo com o Famalicão há uma jogada de interpretação em que o VAR corrigiu a visão do árbitro. Mas não foi isso que sucedeu nas demais jogadas. Tentamos perceber porque é que isso sucede. Para isso, precisamos da publicação dos áudios. José Pereira da Costa Falou de um novo modelo de funcionamento da arbitragem. Quais seriam as linhas orientadoras desse novo modelo? E pergunto-lhe se há recursos humanos, em termos qualitativos, para um novo modelo. O que a arbitragem precisa é de rigor, credibilidade, fiscalização, profissionalismo e formação. O que nós precisamos é de acreditar que esse modelo tem estas cinco características. Aposta na formação, eventualmente na formação contínua; que os árbitros sejam responsabilizados por aquilo que fazem de bem, mas também sejam responsabilizados pelos erros que cometem, como todos nós na vida; que os processos de fiscalização sejam credíveis e de nomeação; que o modelo de gestão seja coerente. Todos estes princípios têm de ser afirmados no âmbito de um modelo em que todos nós acreditemos. Nós olhamos para a arbitragem no seu todo: acreditamos, ou não acreditamos, que estes princípios estão neste momento em vigor no modelo que seguimos? Um detalhe nesse novo potencial modelo. Os árbitros deviam ser autorizados a comunicarem com a comunicação social no final dos jogos? Ou parece-lhe um passo excessivo? Nem é um passo que deva ser dado, nem é um passo excessivo. Porque quem gere o modelo é que tem de ser responsabilizado também pela gestão do modelo. É isso que nós exigimos. Aliás, estes corpos dirigentes foram eleitos há um ano e meio, e são estes corpos dirigentes que têm de ser responsabilizados por aquilo que se passa também na arbitragem. São eles é que têm de tomar essas decisões. Estamos cá nós, depois, para avaliar se as decisões foram ou não foram bem tomadas. Porque esse modelo de gestão também deve ser fiscalizado, auditado e, daí, retirarem-se as devidas responsabilidades. Os órgãos de soberania em Portugal, e são órgãos de soberania, como por exemplo os tribunais, também são passíveis de fiscalização e de escrutínio público. E porque é que a arbitragem não é? Mas, sê-lo, defendia em primeira linha os próprios árbitros. E depois, sim, todo o sistema, todo o modelo e o futebol português. Como eu lhe disse, a internacionalização do futebol português, que hoje é tão debatida no âmbito de uma série de outros assuntos, passa pela internacionalização do futebol português enquanto jogo e não do futebol português enquanto erro.

Graves erros de arbitragem: presidente da MAG reforça indignação do Benfica
Na BTV, José Pereira da Costa reagiu às incidências que lesaram o Clube no último jogo em Famalicão, da 32.ª jornada da Liga Betclic.
ENTREVISTA
Em entrevista à BTV, José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, comentou a arbitragem que prejudicou fortemente o Clube, com impacto direto no resultado, no jogo disputado em Famalicão no passado sábado, 2 de maio, a contar para a 32.ª jornada da Liga Betclic.
Reforçando a indignação do Clube, o dirigente pronunciou-se ainda sobre a recente tomada de posição da APAF, que decidiu avançar com uma participação disciplinar contra o Benfica e o seu presidente, Rui Costa, pelas declarações proferidas à comunicação social após a partida que teve lugar no Minho.
“Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se, perante aquilo que se passou no sábado [no Famalicão-Benfica], fosse punido o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, em vez de responsabilizar quem errou: o árbitro e o VAR”, disparou José Pereira da Costa, salientando que o Presidente Rui Costa “deu eco ao sentimento de todos os Benfiquistas”.
Sublinhando que o futuro da arbitragem precisa de “rigor, credibilidade, fiscalização, profissionalismo e formação”, o presidente da MAG do Sport Lisboa e Benfica também apontou que a divulgação dos áudios entre árbitro e VAR do Famalicão-Benfica é “absolutamente essencial” para se perceber e analisar o que se passou no duelo da 32.ª jornada da Liga Betclic.
José Pereira da Costa
Começo por perguntar-lhe que reação é que tem a esta intenção da APAF de apresentar queixa.
Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se, perante aquilo que se passou no sábado [no Famalicão-Benfica], fosse punido o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, em vez de se responsabilizar quem errou: o árbitro e o VAR. O que a APAF tem de responder é o que é que tem a dizer a todos aqueles que gostam de futebol – e não só a nós, milhões de Benfiquistas que sofremos as vicissitudes do jogo com um erro – sobre o que se passou no sábado. Era isso que nós esperávamos hoje [segunda-feira, 4 de maio] da APAF.
Parece-lhe que o foco está mais virado para uma defesa corporativa do que para uma introspeção sobre o trabalho feito?
O foco da APAF pode ser esse, mas nem sequer essa defesa é feita. Porque ao não responder à questão do que se passou no sábado, porque é que sucedeu aquele erro, tira o foco do erro, colocando-o nas palavras do Presidente [Rui Costa], que, sublinho, apenas exteriorizou o sentimento de milhões de Benfiquistas. Eu diria mais, exteriorizou o sentimento de todos aqueles que gostam de futebol. Ao tirar o foco do que se passou no campo, a APAF tira o foco do erro. E gera um novo foco, foco esse que, como eu volto a dizer, seria irónico, trágico, e seria o cúmulo da desfaçatez, se fosse concluído pelo Conselho de Disciplina com uma punição ao Presidente. Não se admite.
Sublinha as críticas e o tom das mesmas feitas pelo Presidente do Sport Lisboa e Benfica no final do jogo com o Famalicão?
Claramente, e faço-o enquanto Benfiquista. Todos os Benfiquistas se reveem no eco do Presidente [Rui Costa]. O que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica fez, e muitíssimo bem, foi pegar num erro de facto que todos viram e não numa questão de interpretação, e o Presidente sublinhou muito bem isso. O Presidente deu eco ao sentimento de todos os Benfiquistas – e, volto a dizer, de todos aqueles que gostam de futebol – e perguntou porque é que aquilo tinha sucedido. E disse mais. Disse que os Campeonatos são para ser decididos por quem está lá dentro do campo, pelos jogadores e pelos técnicos, e não por erros. Como aquele erro que sucedeu no sábado, ou aqueles. Mas, sobretudo, o Presidente focou a questão do erro. E eu volto a sublinhar que direi a palavra “erro” as vezes que forem necessárias, porque foi isso que se passou.
José Pereira da Costa
Sendo que o erro faz parte desta atividade, na parte dos atletas, dos treinadores, dirigentes, árbitros, a questão aqui é um bocadinho mais subtil. Porque este árbitro em questão [Gustavo Correia] já errou duas vezes com o Benfica nesta temporada, curiosamente nos dois únicos jogos que apitou do Benfica. E a súmula desses erros são menos quatro pontos para o Benfica…
E não era uma questão de interpretação. Disse e muito bem, dois erros que nos custaram quatro pontos, com o mesmo árbitro. Daí a perplexidade e também a surpresa com que nós temos de o afirmar hoje. E pegando outra vez na sua primeira pergunta: o que a APAF tem para nos dizer é que o Presidente do Benfica deve ser punido? Em vez de dizer: vamos olhar para a consequência dos atos e tirar a responsabilidade e responsabilizar quem os toma. É a própria arbitragem que fica em causa com erros daquele tamanho. Deixe-me dizer-lhe que as palavras do Presidente foram certeiras e demonstraram aquilo que se passou no campo. Volto a dizer que os jogos, como disse o Presidente, são para ser decididos em campo por treinadores e jogadores. Não faz sentido hoje não referir uma coisa tão simples quanto esta: as imagens não têm dúvidas. Não geram nenhuma dúvida. Há um erro primário, e o VAR, que serve exatamente para corrigir esse erro primário, não o corrigiu. Onde é que estão as comunicações entre árbitro e VAR que nos permitem perceber o que se passou no sábado?
É essa divulgação das comunicações que espera que seja uma das consequências deste fim de semana? O que é que espera no futuro em relação à arbitragem?
Bom, nós temos ainda duas jornadas por disputar. Aliás, duas para o Sport Lisboa e Benfica e três para quem está a disputar o acesso à Liga dos Campeões connosco. O que nós defendemos, defendemos já há bastante tempo. É no âmbito da credibilização do setor. Mais uma vez, todos aqueles que gostam de futebol o que defendem também é a internacionalização do produto e não a internacionalização do erro. Nós não queremos internacionalizar o erro. Queremos impedir que essa internacionalização seja feita e, portanto, defendemos medidas muito concretas e imediatas. A publicação dos áudios é absolutamente essencial para percebermos o que se passa naquele minuto perante a análise daquele episódio em concreto. Também é evidente que percebermos quais são os critérios de avaliação, e depois a publicação das avaliações dos árbitros, através dos relatórios respetivos e da perceção de notação dos árbitros, da classificação, é absolutamente essencial. Repare, nós estamos num país e numa sociedade em que todas as nossas atividades são suscetíveis de fiscalização. De escrutínio. Não faz grande sentido que, num fenómeno como é o do futebol, esse escrutínio não seja público, não seja visível, que a fiscalização não seja percebida por todos aqueles que fazem parte do jogo, do processo, mas também por quem acompanha o fenómeno através do visionamento das imagens. Portanto, é urgente, nestas jornadas que faltam, que estes critérios sejam publicados, e publicados de imediato, com rapidez.
José Pereira da Costa
E parece haver, na sua opinião, abertura do setor para essa maior transparência?
Eu espero que sim. Eu espero que, hoje mesmo, isso seja garantido. Seja garantido que as últimas duas jornadas são disputadas sob o signo da credibilidade. E da tranquilidade. Para que tudo se passe, como disse o nosso Presidente, dentro das quatro linhas, com técnicos e jogadores a decidirem os resultados finais.
Essa exigência vai para além desta época? Ou apenas para esta circunstância das duas, três jornadas que faltam?
O Benfica tem vindo a bater nesta tecla ao longo dos tempos. Já desde, pelo menos, o fim da época passada, o Benfica tem exigido e tem afirmado que a credibilização da arbitragem passa por estas medidas que exige hoje que sejam realizadas já perto do final desta época. O que quer dizer que as defendemos para o futuro, entre outras medidas. Se necessário for, através de um modelo de estrutura de arbitragem que, pelo menos para quem vê, torne as coisas mais cristalinas.
Tivemos, nesta temporada, a divulgação pontual de áudios de algumas arbitragens. Isso, entretanto, caiu em desuso. Consegue perceber porquê?
Não. Nem eu nem ninguém conseguimos perceber porquê.
Não foi dada nenhuma explicação?
Eu não conheço. Eu não conheço, mas gostava que, sobretudo nestas duas últimas jornadas, retomassem esse bom hábito e que ficasse para o futuro.
Devia ser uma prática recorrente?
E que fosse uma prática recorrente, que permitisse analisar em concreto – não só nas jogadas de erro, também nas jogadas de interpretação. Porque, repare, no jogo com o Famalicão há uma jogada de interpretação em que o VAR corrigiu a visão do árbitro. Mas não foi isso que sucedeu nas demais jogadas. Tentamos perceber porque é que isso sucede. Para isso, precisamos da publicação dos áudios.
José Pereira da Costa
Falou de um novo modelo de funcionamento da arbitragem. Quais seriam as linhas orientadoras desse novo modelo? E pergunto-lhe se há recursos humanos, em termos qualitativos, para um novo modelo.
O que a arbitragem precisa é de rigor, credibilidade, fiscalização, profissionalismo e formação. O que nós precisamos é de acreditar que esse modelo tem estas cinco características. Aposta na formação, eventualmente na formação contínua; que os árbitros sejam responsabilizados por aquilo que fazem de bem, mas também sejam responsabilizados pelos erros que cometem, como todos nós na vida; que os processos de fiscalização sejam credíveis e de nomeação; que o modelo de gestão seja coerente. Todos estes princípios têm de ser afirmados no âmbito de um modelo em que todos nós acreditemos. Nós olhamos para a arbitragem no seu todo: acreditamos, ou não acreditamos, que estes princípios estão neste momento em vigor no modelo que seguimos?
Um detalhe nesse novo potencial modelo. Os árbitros deviam ser autorizados a comunicarem com a comunicação social no final dos jogos? Ou parece-lhe um passo excessivo?
Nem é um passo que deva ser dado, nem é um passo excessivo. Porque quem gere o modelo é que tem de ser responsabilizado também pela gestão do modelo. É isso que nós exigimos. Aliás, estes corpos dirigentes foram eleitos há um ano e meio, e são estes corpos dirigentes que têm de ser responsabilizados por aquilo que se passa também na arbitragem. São eles é que têm de tomar essas decisões. Estamos cá nós, depois, para avaliar se as decisões foram ou não foram bem tomadas. Porque esse modelo de gestão também deve ser fiscalizado, auditado e, daí, retirarem-se as devidas responsabilidades. Os órgãos de soberania em Portugal, e são órgãos de soberania, como por exemplo os tribunais, também são passíveis de fiscalização e de escrutínio público.
E porque é que a arbitragem não é?
Mas, sê-lo, defendia em primeira linha os próprios árbitros. E depois, sim, todo o sistema, todo o modelo e o futebol português. Como eu lhe disse, a internacionalização do futebol português, que hoje é tão debatida no âmbito de uma série de outros assuntos, passa pela internacionalização do futebol português enquanto jogo e não do futebol português enquanto erro.

