Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: onde está o milho?…ver mais

“Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: onde está o milho? Aparecia o massagista com uma bandeja recheada de seringas para dar a cada um. Parecíamos galinhas de volta do prato, à espera da vez !
Era uma pequena vacina, do tamanho de uma meia unha, chamada Pervitin. Espetavam-nos aquilo no braço e dava para correr e saltar quatro jogos de seguida.
O jogador é tratado como uma máquina. Éramos carne para canhão. É como se tivéssemos uma faca apontada: Ou fazes isto ou não jogas.
Quando chegava a um clube havia muitos medicamentos e nem sempre era informado do que andava a tomar. Havia clubes que nos davam cápsulas sem qualquer nomenclatura ou a marca do medicamento. Hoje o controlo é mais apertado e os clubes não arriscam tanto.
Havia um massagista que se gabava que tinha uma pessoa controlada no Centro Nacional Anti-Doping e sabia sempre com antecedência em que jogos eram feitos os controlos. Dava-nos o doping, dizendo que dava mais força no campo. E era verdade.
Nunca contei á minha mulher mas ela sabia. Uma pessoa que me conhecia há tantos anos sabia que eu não fazia mal a ninguém e naqueles dias ficava completamente alterado. Nem com a minha filha mais velha queria falar.
Estraguei a minha vida particular com o doping. Era fácil que ela percebesse, até porque o cheiro do meu corpo quando estava dopado era mau. A droga saía por todos os poros. ”
Fernando Mendes.


