Fui até Roma porque, como sabemos, “todos os caminhos vão dar a Roma” – mas o meu foi em classe económica, pago pel…ver mais

Fui até Roma porque, como sabemos, “todos os caminhos vão dar a Roma” – mas o meu foi em classe económica, pago pela minha filha Francisca, essa benfeitora renascentista que decidiu investir no meu descanso. Sempre ouvi dizer que os filhos são o futuro; no meu caso, são também a agência de viagens.
Claro que “Roma não se fez num dia”, mas eu vou tentar desmontá-la em quatro: e claro que irei ao Coliseu, para me sentir uma gladiadora moderna e lutar bravamente por um ângulo sem turistas.
Na Fontana di Trevi, onde já passei duas vezes, ainda não atirei uma moeda para garantir o regresso – porque, sejamos francos, se é para depender da generosidade da Francisca, convém espera que a vida económica lhe seja mais sorridente.
E como “em Roma, sê romano”, vou gesticular como senadora indignada, comer como imperatriz decadente e atravessar ruas como quem acredita na vida eterna.
Mesmo assim, já fiz um desvio ao Vaticano – oficialmente por motivos espirituais, mas na prática porque ficava “já ali” e porque o uber era barato.
O hotel onde ficamos é o único senão de deixarmos um filho escolher: nem mil Ave-marias nos salva.



