Entendamo-nos de uma vez: isto não é entretenimento. É uma máquina de fabricar ilusões…

Entendamo-nos de uma vez: isto não é entretenimento. É uma máquina de fabricar ilusões.
Plataformas de jogo ilegal pagam três, cinco, dez mil euros por publicação a influencers. Depois oferecem-lhes bónus sem limite. Eles jogam, gravam tudo e publicam apenas quando ganham. As derrotas desaparecem na edição. O público vê dinheiro fácil, sorrisos e vitórias. A mentira fica completa: parece que qualquer um pode ganhar.
Não pode.
Isto não é apenas publicidade irresponsável. É vender uma ilusão deliberadamente construída para levar outros a apostar. É transformar a audiência em matéria-prima para uma indústria que lucra precisamente com quem perde.
E o mais escandaloso talvez nem seja a falta de escrúpulos de quem vende a mentira. É a aparente tranquilidade de quem devia fiscalizar.
Que mais é preciso? Mais vídeos? Mais denúncias? Mais jovens endividados?
A lei pode até andar devagar. O algoritmo, esse, não perde tempo.
E enquanto as autoridades ponderam, os influencers continuam a rolar os dados – com o dinheiro dos outros.
